
Em 2022, o “Dia do Índio” foi alterado para Dia dos Povos Indígenas (Lei 14.402/2022) visando a valorização da diversidade cultural e combate a preconceitos.
Quando pensamos nos povos indígenas no Brasil, é comum imaginar uma imagem única e praticamente genérica. Mas essa ideia começa a se desfazer quando olhamos para os dados.
Segundo o IBGE, o Brasil abriga cerca de 391 povos indígenas, somando aproximadamente 1,6 milhão de pessoas.
Não estamos falando de um único grupo. Estamos falando de centenas de povos, cada um com:
- sua própria cultura;
- sua própria organização social;
- e sua própria forma de ver o mundo.

Além disso, ainda de acordo com o IBGE e estudos do Instituto Socioambiental, são faladas hoje no Brasil cerca de 295 línguas indígenas. Sim, quase 300!
Esse dado revela algo que nem sempre percebemos: o Brasil não é apenas um país de língua portuguesa. É um país historicamente multilíngue.
Embora o português seja a língua oficial, diversas línguas indígenas continuam vivas, sendo utilizadas no cotidiano e, em alguns casos, reconhecidas como cooficiais em municípios.
Segundo estudos do Instituto Socioambiental, antes da colonização, mais de 1.000 línguas indígenas eram faladas no território brasileiro. Hoje, são cerca de 295.
Parte significativa dessa diversidade se perdeu ao longo da história. E é aqui que voltamos ao tema inicial: “índio” ou “indígena”? Agora, talvez, essa escolha já não pareça tão simples.
Durante muito tempo, o termo “índio” foi utilizado de forma genérica para se referir a todos esses povos, como se fossem um único grupo, com uma única cultura, uma única identidade. Mas, como vimos, essa realidade simplesmente não existe.
Por isso, o termo “indígena” vem sendo cada vez mais adotado. Não apenas por uma questão de correção, mas de compreensão. “Indígena” significa, literalmente, “nascido dentro”, ou seja, originário daquele território. Reconhece a existência de múltiplos povos, múltiplas culturas, múltiplas histórias.
Já “índio” é um termo herdado de um erro histórico, ligado ao período colonial, que acabou sendo usado de forma generalizante e, muitas vezes, reducionista. Curiosamente, a história contada é que os português que aqui chegaram, pensaram ter chegado na rota planejada a Índia.
No fim, não se trata apenas de falar “certo” ou “errado”, mas de reconhecer que, por trás de uma única palavra, pode existir, ou desaparecer, toda uma diversidade de mundos.